Terapia de casal: para quem? Por quê?

A terapia do casal está em evidência, ganhando mais reputação e popularidade, em casos de dificuldades de se conseguir viver juntos. Mas por que um casal precisaria pedir ajuda? Talvez o melhor a se fazer seja colocar essa situação dentro do consultório do terapeuta.

Por que devemos fazer uma terapia de casal?

Terapia de casal: para quem? Por quê?

Quando a comunicação não gera mais efeitos, quando os argumentos são multiplicados e repetidos várias vezes, quando os conflitos parecem sempre os mesmos, vimos que nossos esforços para encontrar um compromisso estão sendo em vão, que o tédio e a falta de esperança enfraquece o casal.

Se isso te pareceu familiar, talvez seja a hora de considerar a terapia. “As pessoas quase sempre optam pela consulta quando acreditam que a separação é iminente. Que essa opção é sua a última chance “, diz Tania Muzik, psicóloga e sexóloga clínica da França, especialista do assunto.

Em acréscimo, a psicóloga e também terapeuta especialista em casamento e família, Louise Roberge, identificou que os casais estão recorrendo a um terapeuta em fases fundamentais da vida: a chegada de um primeiro bebê, a ida das crianças para a vida adulta, a chegada recente na aposentadoria … passagens que exigem uma grande adaptação por parte do casal. “As pessoas consultam quando há tristeza, desconfiança ou descrença no relacionamento, sentem que há um espaço entre elas. E raramente por causa da infidelidade em si “, diz o especialista.

As principais razões para que os casais optam pela consulta? Falta de comunicação entre o casal, discussões corriqueiras, relações conflituosas com outros parentes, problemas financeiras ou conflitos em relação a criação dos filhos. Se tratando de dificuldades sexuais, elas são, na grande maioria das vezes, resultados de outros problemas de relacionamento. Se o psicologo não enxergar dessa forma, pode requerer a ajuda de um sexólogo.

Como funciona a terapia de casais?

Ao assumir o papel de mediador, o terapeuta permite que ambos os cônjuges consigam colocar seus pontos de vista para fora, suas expectativas e também suas necessidades em relação ao seu companheiro e em relação ao relacionamento no geral.

O objetivo da terapia de casal: ajudar o casal a descobrir seus problemas, e também restaurar o diálogo. “Diferente da terapia individual, que tem como objetivo transformar aspectos do funcionamento do indivíduo, a terapia de casal foca na relação entre o casal, enquanto possibilita a identificação de componentes individuais que, sem perceberem, geram impasses “, explica Louise Roberge.

Porém, não há receita mágica, e cada terapeuta têm seu próprio modo de realizar seu trabalho. Numa apresentação recente que tive acesso, a psicóloga referência do assunto, Erika Salima Mamodhoussen, explicou os quatro modelos de intervenção:

  1. Abordagem sistêmica: tenta reconhecer e alterar as regras de interação e comunicação do casal e na família.
  2. Abordagem psicodinâmica: procura ajudar o casal de forma separada a reconhecer melhor a influência de suas experiências passadas, e os seus reflexos nos seus conflitos atuais.
  3. Abordagem baseada na emoção: visa alterar algumas respostas emocionais e interacionais consideradas mais duras, bem como promover um vínculo seguro de apego entre os cônjuges.
  4. Terapia Comportamental Cognitiva: Trabalha em cima de estratégias sociais que não estão tendo sucesso, particularmente no que diz respeito aos sinais e falas dentro do casal, expressão de carinho, companheirismo e sexualidade, respostas aos problemas e controle da raiva.

Independente da abordagem que o terapeuta se utiliza, a primeira consulta tem como objetivo entender os conceitos que o casal considera normal entre eles. O terapeuta pede que ambos falem mais sobre sua sua insatisfação com o relacionamento – e diretamente um com o outro – sobre suas expectativas, suas necessidades não atendidas e como alguns problemas do passado o machucam ainda hoje.

O terapeuta pode analisar como ambos conversam entre si, ouvem um ao outro e se respeitam e quais tópicos eles não se respeitam. “Eu sirvo, na maioria das vezes, como um espelho. Eu informo a eles o que eu vejo sobre o relacionamento deles, sobre os diferentes tópicos “, explica Tania Muzik.

Este é sem dúvida o primeiro passo (e mais importante passo) em um processo colaborativo que irá dar resultados positivos, em que o casal define um objetivo comum, e se esforça para alcançar. Ao final desta primeira avaliação, frequentemente os terapeutas falam suas impressões sobre a situação, irá sugerir uma abordagem terapêutica que geralmente é aplicada em conflitos desse tipo.

Quanto tempo dura uma terapia de casal?

“Depende exclusivamente do desejo de mudança do casal como um todo. Alguns já ficarão felizes apenas se seus problemas se tornarem menos frequentes, ou talvez menos intensos, enquanto outros exigirão o fim de todos os problemas”, diz Louise Roberge.

Quanto mais difícil e antigas os traumas, e sendo assim, quanto mais mudanças forem esperadas, mais tempo o processo irá levar. A terapia conjugal pode durar somente três meses, ou mesmo continuar por mais de um ano. “Os casais que geralmente optam pela consulta quase sempre já tentaram resolver seus problemas sem mim, mas se encontraram agora em um beco sem saída. É ilusão achar que podemos resolver tudo em algumas poucas sessões. Se fosse simples, o próprio já teria resolvido a situação sem minha ajuda “, acrescenta ela.

Uma terapia de casal realmente funciona?

Se o casal resolve que quer continuar formando um casal, grande parte do trabalho do terapeuta já está pronto! No outro extremo, quase sempre ocorre a falha na terapia, quando o casal já se machucou demais, ou quando um deles mudou, e entende que seu parceiro (a) não pode lhe oferecer mais um sentimento de companheirismo.

Como aponta a especialista no assunto Tania Muzik, o objetivo da terapia de casal não deve ser salvar o casal, custe o que custar, mas sim ajudar ambos a reconhecer as razões que levam as suas dificuldades.

Como escolher um terapeuta

A escolha do terapeuta é de fato muito importante, independente se procuram uma terapia de casal ou não. Todo o casal devem sentir-se confiante em falar sobre sim com o terapeuta escolhido. Para conseguir isso, não hesite em “testar as opções”.

Entre os critérios a serem considerados podemos incluir a idade do terapeuta. “Para um mais maduro, de 50 anos, começar uma terapia com alguém muito mais novo pode não ser confortável, “, aponta Tania Muzik. O casal também deve decidir antes de começar o processo de escolha se prefere consultar um homem ou uma mulher. A proximidade da residência, o preço, o tipo de abordagem utilizada e o histórico profissional também devem ser consideradas, aponta a especialista.

Fonte 01

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