Contracepção – Um assuntos apenas das mulheres?

Se todos participam da festa que é fazer bebês, por que homens e mulheres mesmo hoje em dia não estão igualmente preocupados quando se trata de tomar os meios para não fazer bebês?

Para o casal carioca Maria e Felipe, ambos de 39 anos, tudo sempre esteve bem claro: ela tomava a pílula até o momento que não queriam filhos ele faria vasectomia quando AMBOS decidirem não ter mais filjos.

“Considero que fiz ainda mais do que a minha parte, assumindo totalmente a responsabilidade pela contracepção durante todos esses anos, e que agora seria a vez do meu marido fazer a sua parte, mesmo que não estivesse muito disposto, talvez fosse o medo de realizar essa pequena cirurgia! “

Contracepção - Um assuntos apenas das mulheres

Em vários outros casais, esse acordo não sempre é feito de forma tranquila. Ainda hoje, o que ocorre com muitos casais, é que a contracepção continua sendo um assunto delicado, exclusivo da mulher. De acordo com uma pesquisa patrocinada pela Bayer em 2014 com 1.500 casais em todo o mundo, 56% dos entrevistados apontaram que conversam com seus parceiros sobre métodos contraceptivos somente uma vez ao ano, ou em alguns casos, nunca”

“Geralmente não discutimos o tanto que deveríamos sobre contracepção, me parece que ainda é um pequeno tabu”, diz Cíntia Chaves, pesquisadora. Por exemplo, quando um casal decide parar de usar preservativo, a mulher quase automaticamente deve ser a responsável por tomar a pílula. No entanto, precisamos perguntar qual contracepção é melhor para cada casal, e identificar quais métodos possam ser melhor adotados. “

“Durante muitos anos, os homens eram totalmente responsáveis ​​pela contracepção, sendo que não havia outros métodos além da camisinha e do coito interrompido.

Mas quando a pílula chegou ao Brasil no início dos anos 1960, a contracepção tornou-se quase que exclusivamente uma responsabilidade para mulheres. “

Contracepção – Sempre um assunto delicado

Mas a falta de interesse dos homens sobre a contracepção pode ser colocado na conta apenas da pílula? “Quase sempre, o discurso social sobre a importância do planejamento familiar e contracepção se concentra nas mulheres”, disse Silvia Laviski, professora do departamento de sexologia.

A professora admite que a comunicação sobre tal assunto é mais direcionado dirigida às mulheres. “Mas a maioria dos métodos contraceptivos é de uso das mulheres. Se mais métodos anticoncepcionais fossem desenvolvidos para os homens, provavelmente nossa comunicação poderia ser derivada “.

É um fato conhecido e aceitável que quando se fala sobre o tema da contracepção, os homens alegam que eles têm apenas alguns métodos contraceptivos ultrapassados, enquanto as mulheres têm vários. É verdade, embora os dois contracepção mais usados sejam o preservativos (54%) e contraceptivos orais (43%), onde cada membro da relação pode fazer sua parte, de acordo com uma pesquisa nacional realizada em todo território nacional.

Mas nos casais mais antigos, especialmente aqueles que já decidiram não terem mais filhos, o preservativo geralmente não se destaca como um dos mais usados. Se todos os métodos femininos possíveis foram descartados, a palavra vasectomia geralmente traz desconforto aos homens.

Vasectomia, seria essa a solução?

Pode ser considerado um problema delicado, mas cerca de 13.500 homens optam por ser vasectomizados a cada ano no estado de São Paulo.

A idade média dos homens que optam pelo método de vasectomia por esse é de 35 anos, segundo os estudos.

Apesar da modernidade, ainda há muitos que são receosos sobre uma intervenção que, de fato, é muito menos arriscada do que a histerectomia, por exemplo. “Algumas pessoas simplesmente têm medo de qualquer tipo de cirurgia”, avalia os médicos. Outros têm idéias totalmente ultrapassadas, por exemplo, que eles não podem mais ter ereções.

Alguns poucos homens rejeitarão completamente a ideia logo no começo da discussão, pois pensam que as mulheres, com todas as escolhas que têm, podem resolver esse problema, um argumento que, válido ou não, provavelmente já serviu para muitos casais, por muitos anos.

“Nós temos comentado e estudado sobre a pílula anticoncepcional masculina já há tempos. Contudo, ainda não está no mercado e duvido que esteja tão cedo “, apontam os especialistas.

Qual o motivo disso? Dificilmente alguém teria essa resposta defintiva. Isso exigiria respostas de várias empresas e comunidade farmacêutica e médica em todo o mundo.

Segundo o Dr. Labrecque, as empresas farmacêuticas não possuem o real interesse em investir em novos métodos contraceptivos, independente se for para homens ou mulheres. “Muitos riscos estão ligados a inclusão de novos medicamentos. Basta relembrar as pílulas de terceira e quarta geração, que causaram um grande alarme em todo o mundo, lembra o especialista.

Mas ainda assim continua a ser menos arriscado lançar novos métodos contraceptivos para eles do que para os homens. Biologicamente falando, é mais fácil prevenir a ovulação mensal nas mulheres do que parar bilhões de espermatozóides que estão em ação!”

Além disso, há uma outra questão levantada nesse ponto: As mulheres estariam prontas, se sentiriam seguras, por exemplo, se a pílula masculina fosse de total responsabilidade dos homens?

“Já faz muito tempo que as mulheres estão acostumados a ter controle sobre isso. Se isso de fato ocorrer, certamente levaria mais do que uma geração antes delas estarem totalmente seguras”.

Fertilidade bem planejada = liberdade

Importante saber que mesmo que a ovulação seja relativamente simples de interromper, nem todos os casais conseguem isso: 35% das mulheres que responderam à pesquisa nacional de 2014 que não estavam tentando engravidar admitiram nem sempre usaram de forma correta os meios de contracepção.

Ainda, 39% das entrevistados pela Bayer alegaram que tiveram uma gravidez não planejada. Importante citar que, embora a taxa de aborto entre as mulheres mais jovens tenha diminuído muito por quase uma década em todo o Brasil, entre as mulheres com mais de 35 anos, essa taxa permaneceu relativamente estável.

Ainda, como podemos explicar para um casal jovem, que não quer ter filhos agora, que o pensamento mágico pode não ser o único meio de contracepção usado? Ainda é surpreendente que alguns casais são surpreendidos quando um “acidente” ocorre .

“No entanto, todas as informações relevantes sobre os diferentes meios de contracepção estão disponíveis em vários lugares. Mas como quase sempre esse assunto não é discutido entre o casal, seja porque temos preconceito contra alguns deles, e também porque temos uma espécie de confiança cega em nosso parceiro, vários jovens casais ainda brincam um pouco com fogo “.

“Não há mais aulas de educação sexual nas escolas. A questão da contracepção é, portanto, pouco discutida e, quando é feita, muitas vezes é no contexto dos cursos de biologia, diz o especialista.

Da mesma forma, os profissionais, e até mesmo os pais e responsáveis, muitas vezes não têm a intuição de envolver os meninos quando falam sobre o assunto, exceto, é claro, no que diz respeito as doenças e à importância de se protegerem.

Resumindo, há ainda muito espaço para melhoria na forma como discutimos sobre contracepção para deixar os meninos mais conscientes, mais preocupados. “Eu vejo mais e mais homens que se sentem preocupados com esse assunto, que querem fazer a sua parte no relacionamento e não deixar essa responsabilidade somente para suas amadas. Eu sou otimista! “

Seu papel na contracepção

“Quando comecei a namorar novamente, há pouco mais de um ano, eu já tinha um DIU colocado. Nas primeiras semanas, ainda usamos camisinha e, quando resolvemos parar, ele perguntou se eu tinha certeza de que não ficaria grávida. Eu respondi sim, tenho os 99,7% que o médico me disse. Porém, aconteceu.

Claro, ficamos surpresos, mas também muito felizes, porque sentimos que viria momentos de muita alegria em nossas vidas. Nunca meu namorado me fez sentir culpada, ou mesmo ficou desconfiado, porque o método contraceptivo que eu escolhi falhou. Porém, se ele não quisesse assumir o risco de 0,3% de chances, cabia a ele a ainda usar o preservativo! ” Felipa, 19 anos.

“Eu sou uma pessoa muito distraída. Meu namorado me ajuda com os horários da pílula, e as vezes até me lembra de tomá-la. Além disso, muitas vezes é ele quem vai na farmácia e compra. Mesmo sendo eu quem faz o uso dela pílula, sinto que meu namorado está totalmente envolvido quanto eu e isso me tranquiliza. ”- Carine, 31 anos

“Em nosso relacionamento, a questão da contracepção foi sempre muita discutida desdo começo. Minha esposa iria fazer o uso da pílula até que tivéssemos nossos filhos, depois eu faria uma vasectomia. E foi o que fizemos. Admito que, quando fui fazer a cirurgia, tive alguns receios sobre a dor, sobre meu desempenho após a cirurgia, os riscos e várias outras coisas. Mas conversei com alguns velhos amigos que já tinham feito. Resultado? Foi menos ruim do que uma consulta ao dentista! ” – Vincente 44

Fonte 01

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *