Como administrar o dinheiro do casal

Seis casais de diferentes tipos e pensamentos toparam em nos contar como administram seu dinheiro. Qual casal mais se parece com vocês? E o que podemos aprender (e copiar) do exemplo deles?

Você já deve ter percebido, mas na realidade nossa maneira de administrar dinheiro,como um casal, está longe de ser somente racional! De acordo com Émilie Bernet-Pelletier, assessora orçamentária da ACEF East de Montreal, no Canadá, ela depende acima de tudo da maneira como entendemos o conceito de casal, nossa interpretação pessoal de equidade, e também da estabilidade do trabalho de ambos.

Como administrar o dinheiro do casal

“Não existe um modelo considerado perfeito, ou mesmo padrão, de gestão financeira”, acrescenta Nancy Lamontagne, planejadora financeira. O importante é o casal se sentir confortável com o jeito com que cuida do dinheiro, dividem decisões, e sempre estarem em busca de formar um equilíbrio, quando uma parte do relacionamento pensa diferente da outra, para certificar que todos tenham sua controle sobre sua conta, e especialmente, para que ninguém se sinta usado no relacionamento.

Como dito no começo do artigo, aqui estão relatos da vida pessoal financeira de alguns casais que conheço:

Uma pessoa é a provedora primária

  • Isabel, 40 anos, assistente administrativa
  • Erique, 41 anos, contador
  • Casados
  • Crianças de 15, 13 e 6 anos.

Erique tem um trabalho mais dinâmico, onde precisa viajar sempre, e quase sempre volta para casa tarde da noite, ou mesmo passa os fins de semana fora. Ele tem um salário muito bom, o que fez o casal preferir que Isabel ficasse mais em casa, para olhar dos filhos. Eles se mantiveram assim nessa rotina por 13 anos, até que os mais jovens entraram na escola, que fica perto de casa. Hoje, Isabel tem um emprego de período, mas não ganha 25% do salário de Erique.

Todos os bens estão em nome de Erique, que controla tudo a partir de sua conta pessoal do banco. “Eu sou o encarregada pelos mantimentos das crianças, incluindo roupas e também atividades comum, porém Erique sempre me reembolsa no final do mês”, diz Isabel. Excluindo todas essas contas, o que nos sobre é usado para lazer entre todos. “

O que nossos especialistas pensam – Em caso de separação, acidente ou mesmo a morte de seu marido, Isabel ficaria sem nada, pelo menos por um tempo!

Nossos conselhos


Faça um testamento. “Como são cônjuges de fato, se um deles morre, são os filhos que herdam a casa, a propriedade e os bens”, diz Nancy Lamontagne. Sem recorrer a justiça, o cônjuge não herda nada. E não devemos manter todo o dinheiro disponível em uma conta conjunta, porque ele será congelado em caso de morte “.


Meio a meio

  • Carlos, 40 anos, diretor de uma agência do governo
  • Cinthia, 35 anos, assistente jurídica
  • Sem filhos.

“Desdo primeiro encontro, minha namorada fez questão que pagássemos as contas meio ano e meio. Passado dez anos depois, continuamos pagando 50/50 contas “, diz Carlos, não deixando de falar que até as tarefas domésticas são compartilhadas entre eles. Eles fazem questão de manter uma conta conjunta, onde ambos são responsáveis por metade das despesas do dia a dia. Eles ainda separam todos os custos de manutenção e abastecimento de seus respectivos carros.

Como Carlos ganha R$ 15 mil a mais por ano do que sua companheira, ele consegue guardar sempre um pouco mais para a sua aposentadoria, e também tem mais dinheiro as horas de lazer. “Eu costumo sair mais que Cinthia, pois as vezes vou em lugares mais caros com meus amigos. Mas se formos a uma lanchonete, por exemplo, eu também posso pagar a sobremesa de ambos, pois entendo que seu orçamento é mais apertado. Mas, como padrão da nossa relação, nos organizamos para que cada despesa seja paga igualmente “.

O que pensam os nossos especialistas?


Muitas vezes nos deparamos com este tipo de controle financeiro, geralmente quando um casal está no início de seu relacionamento, na fase do descobrimento, quando não possuem filhos ou mesmo quando ambos têm quase a mesma renda. Nesse caso, a diferença salarial não é muito grande, mas ainda interfere no padrão de vida de ambos.

E se essa diferença de salário se tornar maior, ou mesmo se um deles adoecer ou tiver um problema no emprego, essa forma de gerenciar os ganhos traria desigualdades ainda maiores, que poderia trazer um sentimento de insegurança a quem está recebendo a renda menor. Mas pelo lado positivo, esta maneira de separação financeira evita muitos problemas, em momentos de briga ou mesmo em caso de morte.

É importante sempre se manter aberto a mudanças “Nesse sistema, ainda é importante gerenciar as mudanças e, de vez em quando, se oferecer em não pagar somente metade da conta”, sugere Émilie Bernet-Pelletier. Aplicado nesse exemplo, se uma semana, Carlos quiser fazer uma compra maior no mercado, ele pode fazê-lo, pois também irá consumir os mantimentos, sem necessariamente exigir metade de Cíntia”.


É importante sempre analisar se o modelo adotado de finanças irá ser afetado por eventos importantes. “Se a diferença salarial se tornar maior, a noticia da chegada de um filho, perda de um emprego ou mesmo caso de afastamento por doença, deve ser revisto o modelo de gestão para garantir que os parceiros não se tornem um problema na vida dos outros “, diz Nancy Lamontagne.


Sempre verifique as contas, pelo menos a cada 15 dias. “Falar sobre as despesas toda vez que algo surge pode prejudicar o relacionamento. Pode ser vantajoso planejar um dia no mês para fazer as contas “, sugere Émilie Bernet-Pelletier.


O princípio de divisão

  • Clara, 41 anos, professora
  • Marcos, 41 anos, jornalista
  • Casados
  • Crianças 13, 11 e 7 anos

Assim que decidiram morar juntos, Clara e Marcos não pensaram em adiar a discussão sobre a vida financeira. “Na época, pensamos que a melhor maneira era resolver essa divisão em proporção ao salário que recebe”, explica Clara. Então, há muito tempo, eu cuido de dois terços das despesas comuns, e Marcos se encarrega do outro terço. “Todas as despesas comuns (aluguel, eletricidade, telefone, férias, pagamentos mensais de carros, etc.) são debitadas de uma conta comum.

O casal tem apenas um cartão de crédito, que é debitado da mesma conta. Depois de deixar o dinheiro para despesas de ambos, em sua conta conjunta, Clara e Marcos depositam o que sobrou de seu pagamento em suas contas pessoais e gastam o dinheiro da forma que desejarem.

O que nossos especialistas pensam


A separação das despesas em proporção relativas às receitas é uma ótima opção. Dessa forma, consegui-se fazer com que o cônjuge que ganha menos economize também, e assim passe a sentir menos insegurança financeira, além de proporcionar um estilo de vida semelhante que pode ser aproveitado por ambos os parceiros.

Em casos como esse, é importante definir o que são despesas comuns. “As despesas que ambos concordam em pagar de forma sincera, podem variar de casal para casal”, diz Bernet-Pelletier. Por exemplo, roupas e sapatos pode ser definido como uma despesa comum para uma pessoa, mas se um parceiro comprar mais peças de roupa que seu companheiro, isso pode causar problemas. “

Um compartilhamento igual de despesas e recursos

Maria Isabel, 36, funcionária público
Estevam, 32, assistente júri dico
Criança, de 5 anos

Maria Isabel e Estevam têm salários quase iguais. Eles colocam todas as suas fontes de renda em uma conta conjunta, em nome de ambos, e durante o mês pagam todas as suas despesas conjuntos dessa conta. Quando todas as faturas do mês já foram pagas, o valor restante é dividido igualmente e depositadas na conta pessoal de cada uma.

No ano passado, Estevam retornou aos estudos. As despesas relacionadas a esse novo curso foram absorvidas pela conta comum. “Nossas despesas aumentaram, devido a sua especialização, enquanto nossas receitas acabaram caíram um pouco. Eu tive que usar um pouco da minha reserva para equilibrar a balança, para pagar algumas contas “, diz ela.

O que os nossos especialistas pensam


Esta maneira de juntar todas as receitas não leva em conta as disparidades de renda, e tenta assim reequilibrá-las. Este é um modelo praticado por casais mais antigos, que frequentemente já possuem filhos. Se a diferença de renda é muito grande, se algum parceiro decide melhorar os estudos, ou mesmo ficar em casa por um tempo, fica doente ou perde o emprego, este tipo de compartilhamento financeiro garante manter o mesmo equilíbrio entre eles.

Esse modelo realça e compartilha valores comuns. “Para evitar quaisquer conflitos, devemos garantir que compartilhamos valores comuns e gostos parecidos em relação ao consumo, dívida e também poupança”, recomenda Émilie Bernet-Pelletier.

Devemos também falar sobre as despesas de cada pessoa, para garantir que estamos em acordo, seja para um novo tênis ou mesmo um novo vestido.


Procurem manter um único cartão de crédito. “Ter apenas um modo de gastar dinheiro irá impedir que um dos parceiros acostume a ajuda do parceiro”, diz Bernet-Pelletier.

Uma renda fixa e outra variável

  • Sonia, 39 anos, escritor freelancer
  • Alan, 42, engenheiro
  • Casado
  • Três garotas, 14, 11 e 6

Como Alan ganha o dobro de salário de Sonia, cuja renda muda todo mês, o casal resolveu que o modelo justo de separação seria de acordo com o tipo de despesa. As consideradas despesas fixas (aluguel, seguro do carro, energia elétrica, etc.) são responsabilidades de Alan, enquanto as despesas variáveis, ​​como as roupas das crianças, presentes de aniversário e festinhas e contas do mercado, considerados mais facilmente gerenciados, são responsabilidade de Sonia. “Quando viramos pais, nos voltamos para esse modelo, que nos parece mais justo”.

Na nossa infância, nossos pais gerenciam suas contas de acordo com o mesmo modelo, então achamos mais simples no começo “, diz Sonia, que considera que esse modo de gestão não é mais o indicado, já que as despesas consideradas variáveis ​​têm aumentado todo ano. “Como as despesas variáveis ​​estão sempre aumentando, utilizo o crédito no banco para quitar. No final do ano, quando meu parceiro recebe seu bônus na empresa que trabalha, ele paga o saldo do banco, no todo ou em parte “.

O que nossos especialistas dizem


É cada vez mais difícil identificar esse modelo de gestão hoje em dia, porque a pessoa responsável pelas despesas que variam, não pode orçar ou planejar despesas com exatidão. Nesse caso ainda, quando sua renda é variável, como é o caso de Sonia, isso pode se tornar uma constante preocupação.

É importante ver os pontos nesse tipo de modelo. “Neste modelo, nenhum parceiro fica prejudicado por favorecer o outro. Porém, todo o estresse de despesas imprevistas, principalmente com as crianças, ​​vai para a Sonia. Acredito que o casal poderia se beneficiar de rever seu sistema de gestão financeira, e considerar adotar um modelo de separação mais conjunta.


A grande família

Natalia, 43 anos, mãe de dois filhos de 19 e 17 anos
Jacques, 45 anos, pai de dois filhos de 20 e 17 anos de idade
Moram juntos

Natalia e Jacques têm duas filhas nascidas de relacionamentos anteriores, ambos trabalham em período integral em grandes empresas, e ganham salários muito bons (nível Brasil). “Executamos as despesas comuns no começo do mês, assim que recebemos. Para as despesas diárias, não adotamos um modelo de pagamento. Por exemplo, se alguém vai ao mercado, paga toda a conta.

Para as outras contas, cada um administra o dinheiro em nossas próprias contas “, diz Natalia. No nosso modelo, ninguém nunca interfere nas despesas que o outro ajuda seu ex-cônjuge. Por exemplo, Jacques é responsável 100% das despesas que dizem respeito a suas filhas do relacionamento anterior. Sua ex-esposa lhe envia as contas, todo mês. “De minha parte, meu ex-marido e eu pagamos as mensalidades da escola particular de nossas garotas igualmente”, diz ela.

Para garantir que ninguém se sinta prejudicado, ou mesmo em caso de morte, o casal optou por fazer uma apólice de seguro de vida total. “Se Jacques vier a faltar, eu não serei o responsável por seus filhos. Em seu testamento, ele me nomeou a casa e designou suas filhas como beneficiárias de seu seguro de vida. “

Vários pontos positivos podem ser apontados no cenário de Natalia e Jacques: os acordos com os ex-parceiros são respeitados por ambos os parceiros, as despesas são somadas e pagas em proporção aos salários, que são muito parecidos, e cada membro da família é protegido se um dos pais morrer.

Nossos conselhos

Para organizar as finanças dos relacionamentos passados – “Antes de viver como uma nova família, é sempre importante definir a nossa situação financeira passada, assim como Natalia e Jacques fizeram, disse Nancy Lamontagne. Se alguém dessa nova relação ainda se encontra casado, o primeiro passo é se divorciar, para evitar que o nosso companheiro herde toda a herança após a nossa morte. A propriedade comum também deve ser vendida ou a parte da outra pessoa deve ser comprada. “


” É essencial sempre buscar um certo equilíbrio entre os dois parceiros da família nova, para que ninguém se sinta usado pelo outro. Contudo, acho que também devemos entender e respeitar o passado do outro, como fazem Jacques e Natalia, e aceitar que os filhos do nosso companheiro, de certa forma, é um pouco como nossos filhos. Pagar por eles, ocasionalmente, é mostrar a eles que somos uma nova família agora “, diz Lamontagne.

Fonte 01

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