Infidelidade no casal: podemos superá-lo?

A infidelidade é sem dúvida um teste difícil para todos os relacionamentos, mas é possível sim reconstruir os laços, segundo especialistas. Conversaremos com François St Père, doutor em psicologia da França, especialista em terapia de casais e autor do livro best-seller: Infidelidade – Mitos, realidades e dicas para sobreviver.

O que é infidelidade?

Infidelidade no casal: podemos superá-lo?

A infidelidade é o fruto da traição. Esta é a marca de um compromisso sem o conhecimento (ou mesmo aprovação) do parceiro (a). A infidelidade pode ser de caráter romântica, financeira ou sexual. Hoje, com tantos novas redes sociais, pode até mesmo haver infidelidade sem contato físico. Mas em qualquer caso, mesmo que virtual, irá afeta o relacionamento do casal. Podemos nos tornar mais impacientes, mais desconfiados, com o nosso parceiro, mais irritável, por exemplo. A infidelidade é dita por muitos como a pior crise que um casal pode atravessar, depois da morte de uma criança. Diminui ou elimina totalmente as próprias bases de um relacionamento saudável: exclusividade plena, total confiança, transparência, segurança.

Parece que você não conhece mais a pessoa com quem compartilhamos nossa vida.

O que leva à infidelidade?

Na grande maioria das vezes, a infidelidade é o resultado da insatisfação em algum ponto do relacionamento. Os parceiros costumam se afastar, negligenciam os sentimentos do outro, não se atentam mais ao pequenos detalhes, mas não apenas por algumas semanas. Geralmente isso ocorre por meses, às vezes chega a anos. As pessoas então se tornam vulneráveis a qualquer coisa de fora do relacionamento. É quando elas se tornam mais sensíveis às palavras amigáveis de um amigo, tendo essas segundas intenções ou não.

Não pode ser o começo de um novo relacionamento?

É raro. De fato, apenas 10% das pessoas infiéis começarão um novo relacionamento com o amante. A infidelidade quase sempre responde a uma necessidade interna de revalorização, prazer, sentimento de novidade. Mas em alguns casos, pode ser uma maneira de se libertar finalmente do parceiro original e conseguir assim proteger seus sentimentos. Nesse caso, o infiel pode perceber que pode se encontrar novamente e ser feliz novamente.

Existe uma diferença entre a infidelidade dos homens e a das mulheres?

Sim. No caso das mulheres, geralmente elas vão atrás de intimidade e amor. O sexo vem com alguns poucos encontros. Os homens, focam quase sempre na experiência do prazer, do sexo. Então o relacionamento pode evoluir a partir desse ponto.

Podemos estipular sempre uma conexão com as insatisfações do casal?

Quase sempre. As insatisfações mais frequentes dos homens estão relacionadas ao sexo. No caso das mulheres, as insatisfações sempre estão mais relacionadas à qualidade do relacionamento, da saúde do relacionamento. Para as mulheres, pode passar a impressão de que o parceiro não as enxerga mais como atraentes, ou apenas as considera como a mãe de seus filhos, por exemplo.

Podemos rever a infidelidade?

Segundo especialistas, não. As pessoas perdoam, mas jamais se esquecem dos casos de infidelidade. Ela nos marca para a vida.

Podemos recuperar a confiança no parceiro?

O que mais fere na infidelidade é a traição do relacionamento, segundo especialistas. A maioria das pessoas não consegue manter a confiança de antes. A pessoa enganada permanecerá para sempre mais atenta, vigilante, mas não é ruim se perceber estar mais atenta ao parceiro (a).

Você diz que pode haver elementos positivos para a infidelidade?

Sim, como em qualquer crise. Permite, entre algumas poucas coisas, ver a importância do outro em nossa vida, depois do ocorrido. Depois de um episódio de infidelidade divulgado, ambos os envolvidos no relacionamento não têm escolha a não ser se atentar mais, olhando um para o outro e ver o que poderia ser alterada na relação para torná-la mais satisfatória para ambos os parceiros. Alguns até já me disseram que o relacionamento deles se tornou melhor depois do caso de infidelidade. Mas eu não aconselho ninguém a dar um novo fôlego para o relacionamento com essa tática! (Riso)

Existem dicas para reviver seu relacionamento depois de uma infidelidade?

Primeiro, é importante não tomar uma decisão definitiva sobre o futuro do relacionamento nos primeiros dias. Após, pare e pense. É sempre importante reconhecer as diferentes reações do nosso parceiro e as etapas de recuperação mais importantes após tal crise. É preciso reconhecer que é tão difícil para a pessoa que foi traída quanto para a pessoa que causou a infidelidade, e que agora está arrependida, especialmente quando ela percebe a dor que ela causa.

No começo, aquele que traiu vai estar muito atento a uma possível “vingança”, mas seis meses ou um ano mais tarde, ele vai começar a pensar que é o tempo dado ao seu parceiro que o ajudou a seguir em frente. É aqui que o relacionamento começa a se deteriorar. É preciso muita paciência e compreensão em todo o período após o fato, pois pode levar até dois anos para se recuperar de uma infidelidade.

E as crianças?

As crianças não devem estar conscientes do ocorrido, segundo especialistas. Se eles perceberem que as coisas não estão indo bem entre os pais, podemos apenas dizer que mamãe e papai estão passando por um momento difícil, mas que logo será coisa do passado. Especialistas indicam que não devemos entramos em detalhes com as crianças, para que não veja os pais como possíveis fontes de preocupação.

No começo, não se deve confiar esse fato na família e nem nos amigos do casal. Com sentimentos a flor da pele como sofrimento e raiva, pode-se estar induzido a dizer inimizades e coisas ruins sobre o parceiro. Amigos e familiares tomarão sempre uma posição favorável ao lado que tiver mais afinidade, e apenas podem querer nos proteger ou citar coisas que não queremos ouvir sobre nosso parceiro, pelo menos não agora. E depois disso, poderá desconforto nas reuniões. Amigos e familiares também podem nos julgar se decidirmos voltar com o parceiro, mesmo que sem serem perguntados.

Não é importante falar sobre a crise?

Claro, é importante se exteriorizar, nunca guardar segredos, nem rancor. Preferencialmente, devemos escolher um confidente que tenha uma experiência de vida maior, uma certa compreensão do ser humano e que não esteja muito próximo de nós, para uma posição imparcial. Existem também grupos de autoajuda, mesmo online.

É melhor consultar um psicologo?


A consulta com um especialista pode ajudar, mas nem todos podem pagar por um psicologo experiente em casos assim. Se essa for uma boa opção viável, escolha alguém especializado em relacionamentos, qualificado e com quem ambos se sentem confortáveis.

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